Amadeo Lorenzato: o cotidiano como pintura

Uiara Azevedo 281 views No comments

Amadeo Luciano Lorenzato (1900–1995) fez de Belo Horizonte o centro de uma pintura construída a partir da proximidade. Depois de quase três décadas na Europa, voltou ao Brasil e passou a viver na região da Cabana do Pai Tomás. As ruas, as casas, os terrenos, as montanhas e as cenas mais simples do dia a dia tornaram-se parte de seu repertório.

Paisagem, óleo sobre tela

Lorenzato não procurava transformar o cotidiano em algo grandioso. Pintava uma paisagem, uma fachada, uma árvore ou um grupo de pessoas, reorganizando essas imagens por meio de cores intensas, formas reduzidas e marcas feitas diretamente na superfície. A simplicidade de seus temas convive com uma pesquisa precisa sobre cor, matéria e composição.

O reconhecimento começou em Belo Horizonte, com a atuação de galerias, críticos e colecionadores que acompanharam sua produção. Em São Paulo, a exposição E você nem imagina que Epaminondas sou eu, realizada na Galeria Bergamin, em 2014, contribuiu para ampliar a circulação de seu trabalho. Ao comentar sua pintura, o curador Rodrigo Moura a definiu como a de “um artista moderno e popular, com um poder raro de síntese” — uma formulação que ajuda a compreender a dificuldade de enquadrar Lorenzato em categorias fixas.

Nos últimos anos, sua obra passou a integrar exposições em instituições e galerias de diferentes países. Em 2019, foi apresentada na David Zwirner e na S|2 Gallery, em Londres, e na Mendes Wood DM, em Nova York. Em 2024, esteve novamente na David Zwirner, em Nova York e Hong Kong, além de integrar a 60ª Bienal de Veneza, com curadoria de Adriano Pedrosa. No Brasil, participou de exposições como Histórias Brasileiras, no MASP, em 2022, e de mostras realizadas em Belo Horizonte em 2025, incluindo a exposição apresentada no Palácio das Artes.

A circulação recente de Lorenzato não apaga a origem de sua pintura. Ao contrário, reforça o interesse por uma produção que permaneceu ligada à experiência comum e à paisagem de Belo Horizonte, sem deixar de construir uma linguagem própria. É nessa relação entre proximidade e invenção que está a força de sua obra.

As pinturas de Amadeo Lorenzato estão entre os destaques do marketplace da Blombô.

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