Julian Opie: imagens que atravessam a arte e a música

Uiara Azevedo 198 views No comments

Em 2000, o rosto dos integrantes do Blur apareceu na capa de The Best Of transformado em linhas, cores chapadas e poucos detalhes. Os retratos criados por Julian Opie eram imediatamente reconhecíveis, mas também tinham algo de sinalização urbana, avatar e desenho digital. A imagem saiu do circuito da arte e passou a fazer parte da memória visual da música.


Blur — The Best Of Lançado em 30 de outubro de 2000, o álbum traz uma série de retratos dos quatro integrantes da banda, criada pelo artista britânico Julian Opie.

Esse diálogo não começou nem terminou com o Blur. Em 2006, Opie criou uma projeção de LED para a turnê mundial Vertigo, do U2. Para o balé Infra, apresentado na Royal Opera House, em Londres, desenvolveu imagens em movimento que acompanhavam a coreografia de Wayne McGregor e a música de Max Richter. Em cada projeto, o corpo aparece reduzido ao essencial: uma silhueta, um gesto, um deslocamento.

Projeção de Julian Opie durante a turnê Vertigo, da banda U2, em 2005

A mesma linguagem pode ser encontrada em suas obras para espaços públicos. Em trabalhos como Walking on O’Connell Street, realizado para a Hugh Lane Gallery, em Dublin, figuras caminham continuamente, como se fossem parte do fluxo da cidade. Opie transforma ações corriqueiras em imagens sintéticas, próximas dos pictogramas, dos mapas e das interfaces digitais.

Nascido em Londres, em 1958, o artista trabalha com pintura, escultura, instalação, vídeo e painéis luminosos. Seu repertório é formado por rostos, pessoas caminhando, animais e paisagens reduzidos a contornos precisos. A economia visual não elimina a identidade das figuras; ao contrário, faz com que elas sejam reconhecidas por um movimento, uma postura ou uma combinação de linhas.

A presença de Opie na cultura pop revela uma característica central de sua produção: suas imagens podem circular em uma capa de disco, em um palco, na fachada de um edifício ou dentro de uma exposição sem perder sua força. Entre a arte contemporânea, o design e a vida urbana, o artista constrói uma linguagem que se tornou familiar sem deixar de ser estranha.

Julian Opie integra o Leilão Visões do Século XX — Coleção Internacional, em exposição na nova sede da Blombô, na Rua Estados Unidos, 521 — São Paulo.

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