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    <title><![CDATA[Blog - Post Feed]]></title>
    <link>https://art.blombo.com/blog.html</link>
    <description><![CDATA[]]></description>
    <pubDate>Fri, 16 Oct 2026 12:33:29 +0000</pubDate>
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    <docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>
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      <title><![CDATA[Rubem Valentim: geometria, identidade e liberdade]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/rubemvalentim.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Em 1962, Rubem Valentim vivia um momento decisivo de sua trajetória. Sua participação na 31ª Bienal de Veneza levou sua produção a um dos principais encontros internacionais de arte, enquanto prêmios e exposições no Brasil ampliavam o reconhecimento de sua pesquisa. Naquele mesmo ano, recebeu a medalha de ouro no Salão Paulista de Arte Moderna e o prêmio de viagem ao exterior no Salão Nacional de Arte Moderna. A exposição individual apresentada na Galeria Relevo, no Rio de Janeiro, também foi eleita a melhor do ano pela crítica. Pouco depois, em 1963, o artista partiria para Roma, onde viveria até 1966.</p><p>É desse período que data <em>Composição 20</em>, obra que integra o próximo Leilão Blombô em Porto Alegre, em parceria com a Bolsa de Arte. A pintura reúne elementos de uma linguagem que Valentim vinha desenvolvendo desde o final dos anos 1950: formas geométricas, cores intensas e uma organização rigorosa do espaço. Círculos, triângulos, linhas e outros elementos sintéticos não são apenas recursos formais. Em sua produção, essas estruturas se relacionam a símbolos e emblemas de matriz africana, especialmente aqueles ligados às tradições religiosas afro-brasileiras.</p><p>Nascido em Salvador, em 1922, Valentim cresceu em contato com manifestações populares e com a cultura dos terreiros de candomblé. Essas referências não aparecem em sua obra como ilustrações de rituais, mas como parte de um vocabulário visual próprio, construído ao longo de décadas. Ao articular símbolos afro-brasileiros à abstração geométrica, o artista criou uma linguagem que dialogava com as correntes modernas sem se submeter a modelos europeus. A geometria, em seu trabalho, tornou-se um meio de elaborar uma experiência cultural e histórica específica.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/1/c1fbe6f87006cde76a77ff10767d508d.jpg" rel="lightbox[mpblog_609]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/1/c1fbe6f87006cde76a77ff10767d508d.jpg"></a></p><p><em>Rubem Valentim. Foto: Bel Pedrosa, 1989</em><br></p><p>Em 1976, Valentim reuniu parte de suas ideias no <em>Manifesto ainda que tardio</em>. Ao escrever que <strong>“a geometria é um meio” </strong>e que buscava <strong>“uma ordem sensível, contida, estruturada”</strong>, o artista esclarecia que seu interesse pela organização formal não se limitava à composição. A ordem que procurava nas formas convivia com a inquietação e a emoção, e a arte assumia uma dimensão ética e política: um exercício de liberdade diante das forças repressivas. A geometria não era um fim em si mesma, mas uma ferramenta para transformar referências culturais em linguagem plástica.</p><p>Vista a partir desse pensamento, <em>Composição 20</em> permite reconhecer como a pesquisa de Valentim articula estrutura e significado. A precisão das formas não elimina a dimensão simbólica; é justamente por meio dela que o artista constrói uma obra ligada à memória, à identidade e à pluralidade da cultura brasileira. O ano de 1962 marca, assim, não apenas uma sequência de reconhecimentos institucionais, mas um momento de afirmação de uma linguagem que continuaria a se desenvolver ao longo de sua trajetória.</p>]]></description>
      <pubDate>Tue, 13 Oct 2026 19:56:27 +0000</pubDate>
    </item>
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      <title><![CDATA[Blombô está de casa nova em São Paulo]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/novoendereco.html</link>
      <description><![CDATA[<p>A Blombô está em um novo endereço em São Paulo. Depois de alguns anos na Rua Cidade Jardim, 86, a Blombô passa a receber o público na Rua Estados Unidos, 521, no Jardim América, em um espaço mais amplo, pensado para acompanhar a expansão de sua programação.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/2/b/2bed548c68fdb20fc9d6637f558fca0a.jpg" rel="lightbox[mpblog_608]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/2/b/2bed548c68fdb20fc9d6637f558fca0a.jpg"></a></p><p>O projeto da nova sede é assinado pela arquiteta Sarah James, que desenvolveu um espaço pensado para receber diferentes momentos da atuação da Blombô, entre exposições, leilões de arte e vinhos, encontros e projetos especiais. A arquitetura amplia as possibilidades de apresentação das obras e de convivência entre artistas, colecionadores, curadores, pesquisadores, parceiros e apreciadores de vinho.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/0/10d0a50e40a631b3390f2e0dd107bf56.jpg" rel="lightbox[mpblog_608]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/0/10d0a50e40a631b3390f2e0dd107bf56.jpg"></a></p><p>A mudança também acompanha uma fase de ampliação da atuação da Blombô. Ao longo de sua trajetória, a instituição vem construindo uma programação que combina o mercado de arte a iniciativas culturais e encontros em torno da produção artística e do vinho.</p><p>Mais do que uma mudança de endereço, a chegada à Rua Estados Unidos, 521 marca uma nova etapa na história da Blombô e abre espaço para uma programação cada vez mais diversa.</p><p><b>Blombô São Paulo<br> Rua Estados Unidos, 521 — Jardim Paulista<br> São Paulo — SP</b></p>]]></description>
      <pubDate>Mon, 05 Oct 2026 20:14:23 +0000</pubDate>
    </item>
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      <title><![CDATA[Iberê Camargo e a pergunta: “Tem rio?”]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/portoalegre.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Quando criança, Iberê Camargo viveu entre diferentes cidades do Rio Grande do Sul, acompanhando as transferências do pai, funcionário da viação férrea. A cada mudança, havia uma pergunta que fazia à mãe, Doralice: <strong>“Mãe, tem rio?”</strong> A presença ou ausência de um rio parecia ser, para o menino, uma maneira de medir a paisagem e também a própria ideia de pertencimento.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/8/a89e03e7b12e7c9cf866995211ab2ef5.jpg" rel="lightbox[mpblog_607]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/8/a89e03e7b12e7c9cf866995211ab2ef5.jpg"></a></p><p><em>Pintura de Iberê Camargo tendo rio como tema.</em></p><p>O rio continuaria presente quando Iberê se tornou artista. Em Porto Alegre, para onde se mudou ainda jovem e onde voltaria a viver definitivamente nos últimos anos, o Guaíba entrou em sua pintura e em seus desenhos. Também aparecem em sua produção lugares como a Cidade Baixa, a Rua da Margem e o Arroio Dilúvio, paisagens que registram uma cidade em transformação.</p><p>Essa relação ganhou uma espécie de continuidade inesperada depois de sua morte. A atual sede da <strong>Fundação Iberê Camargo</strong> foi construída às margens do Guaíba, em Porto Alegre, a partir de um projeto do arquiteto português <strong>Álvaro Siza</strong>. Inaugurado em 2008, o edifício foi pensado em diálogo com o terreno e com a paisagem, incorporando o rio à própria experiência de quem percorre o espaço.</p><p>A história parece voltar ao ponto de partida: <strong>da pergunta feita por uma criança — “tem rio?” — ao edifício que guarda sua obra diante do Guaíba, o rio atravessa a trajetória de Iberê como uma presença que nunca deixou de retornar.</strong></p><section></section><p><strong></strong></p><section><p>A Blombô desembarca em Porto Alegre para seu próximo leilão, que acontece nos dias 21 e 22 de outubro, com Iberê Camargo entre os destaques.</p></section>]]></description>
      <pubDate>Tue, 29 Sep 2026 21:13:35 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[O mapa do vinho em São Paulo]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/saopaulo.html</link>
      <description><![CDATA[<p>São Paulo sempre foi uma cidade de restaurantes. Em 2026, porém, o vinho parece ter ganhado uma nova dimensão dentro dessa paisagem. Não se trata apenas do aumento de wine bars, lojas especializadas ou cartas cada vez mais extensas: o vinho passou a circular pela cidade de maneiras diferentes, aproximando produtores, sommeliers, chefs, importadores e um público interessado em descobrir novos rótulos e regiões.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/1/11fb6d7603412620765a2e0ce99b9b95.jpg" rel="lightbox[mpblog_606]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/1/11fb6d7603412620765a2e0ce99b9b95.jpg"></a></p><p>A primeira edição da Semana Paulistana do Vinho, realizada em abril, ajuda a entender esse movimento. Foram mais de 200 atividades distribuídas por diferentes regiões da cidade, reunindo restaurantes, wine bars, lojas e espaços culturais. O vinho deixou de estar restrito à mesa de restaurantes especializados e passou a aparecer em formatos mais diversos — em taças, menus especiais, encontros, degustações e experiências que aproximam a bebida do cotidiano.</p><p>Esse movimento também acompanha uma transformação que acontece além dos limites da capital. O programa Rotas do Vinho de São Paulo chegou, em 2026, a 87 atrativos distribuídos por 38 municípios. São cinco rotas que conectam vinícolas, paisagens, gastronomia e experiências de enoturismo. A cidade de São Paulo funciona, nesse contexto, como uma espécie de ponto de encontro: é onde chegam os vinhos, onde eles são apresentados e comercializados e onde se forma boa parte do público interessado em conhecer sua origem.</p><p>Talvez seja justamente aí que esteja o novo mapa enogastronômico paulistano. Ele não é formado apenas por endereços dedicados ao vinho, mas por uma rede que atravessa bairros e estilos de vida. Em Pinheiros, Jardins, Itaim, Bela Vista, Consolação e outras regiões, wine bars e restaurantes criaram maneiras próprias de aproximar vinho e comida. Há lugares voltados aos pequenos produtores brasileiros, casas com cartas internacionais, restaurantes em que a harmonização acompanha a cozinha e espaços em que a taça é o ponto de partida para experimentar sem compromisso com uma região ou estilo específico.</p><p>O próprio calendário de 2026 mostra que esse mercado ganhou escala. Em agosto, São Paulo recebeu o I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, reunindo representantes do setor para discutir justamente a relação entre vinho, gastronomia e turismo. No mesmo ano, a ProWine São Paulo projetou sua maior edição até então, acompanhando o crescimento do consumo de vinhos de maior valor agregado e a ampliação da presença internacional no mercado brasileiro.</p><p>O resultado é uma cidade em que o vinho pode ser descoberto de muitas formas. Uma garrafa brasileira de pequeno produtor, uma taça de um grande Bordeaux, um jantar harmonizado, uma conversa com um sommelier ou uma visita a uma vinícola próxima da capital fazem parte de uma mesma paisagem. São Paulo talvez não seja uma cidade de vinhedos, mas se tornou um lugar onde diferentes territórios do vinho se encontram.</p><p>Mais do que uma rota com começo e fim, o que se desenha é um mapa em movimento: feito de restaurantes, adegas, wine bars, produtores, eventos e pessoas. Um mapa que muda conforme novas casas abrem, novas regiões brasileiras ganham espaço e o público passa a procurar no vinho não apenas uma bebida, mas também uma forma de conhecer lugares, culturas e histórias.</p>]]></description>
      <pubDate>Thu, 24 Sep 2026 17:20:22 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Château Mouton Rothschild e a arte dos rótulos]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/rothschild.html</link>
      <description><![CDATA[<p>No Château Mouton Rothschild, a relação entre vinho e arte começa antes mesmo de a garrafa ser aberta. Desde 1945, a propriedade convida um artista para criar o rótulo de cada safra, transformando a apresentação do vinho em um espaço de encontro entre duas formas de criação.
</p><p>A tradição começou com <b>Philippe Jullian</b>, que desenhou o rótulo da safra de 1945 para celebrar a vitória dos Aliados no fim da Segunda Guerra Mundial. A partir dali, o rótulo deixou de ser apenas uma identificação da garrafa e passou a carregar também uma interpretação visual daquela safra.
</p><p>Ao longo das décadas, passaram por essa coleção nomes importantes da arte moderna e contemporânea, como <b>Pablo Picasso, Joan Miró, Marc Chagall, Salvador Dalí, Francis Bacon, Andy Warhol, Jeff Koons, David Hockney</b> <b>e Joana Vasconcelos</b> entre muitos outros. Cada artista estabelece uma relação própria com o universo de Mouton, sem que exista um modelo visual pré-determinado para a criação.
</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/2/a2a30cc7301019aaf40a011d981ab250.jpg" rel="lightbox[mpblog_605]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/2/a2a30cc7301019aaf40a011d981ab250.jpg"></a></p><p><em>Rótulos: Andy Warhol</em><em>, Joan Miró</em><span class="redactor-invisible-space"><em>, Pablo Picasso, David Hockney, Francis Bacon e Joana Vasconcelos</em></span></p><p>Essa liberdade faz com que cada safra tenha uma identidade particular. Algumas obras partem de referências ao vinho, à terra ou à própria história da propriedade; outras seguem caminhos completamente independentes. O que permanece é a ideia de que uma garrafa pode reunir, em um mesmo objeto, <b>vinho, arte e memória</b>.
</p><p>Por isso, colecionar Mouton Rothschild também significa acompanhar uma espécie de história da arte em pequena escala. Os rótulos formam, ao longo do tempo, uma coleção que atravessa diferentes movimentos, linguagens e gerações de artistas — e que continua a ganhar novos capítulos a cada safra.
</p><p>O <strong>159º Leilão de Vinhos da Blombô</strong> é uma oportunidade para apreciar e conhecer o <strong>Château Mouton Rothschild</strong><span class="redactor-invisible-space"></span></p>]]></description>
      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 19:10:09 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Julian Opie: imagens que atravessam a arte e a música]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/julianopie.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Em 2000, o rosto dos integrantes do <strong>Blur</strong> apareceu na capa de The Best Of<em> </em><em> </em>transformado em linhas, cores chapadas e poucos detalhes. Os retratos criados por <strong>Julian Opie</strong> eram imediatamente reconhecíveis, mas também tinham algo de sinalização urbana, avatar e desenho digital. A imagem saiu do circuito da arte e passou a fazer parte da memória visual da música.</p><p><br></p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/6/a67b6e045a8ba0143bae29613075eaee.jpg" rel="lightbox[mpblog_604]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/6/a67b6e045a8ba0143bae29613075eaee.jpg"></a></p><p><em><span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">Blur — <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">The Best Of</span></span>
Lançado em <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">30 de outubro de 2000</span>, o álbum traz uma série de retratos dos quatro integrantes da banda, criada pelo artista britânico </em><span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text"><em>Julian Opie</em></span><strong>.</strong><br></p><p>Esse diálogo não começou nem terminou com o Blur. Em 2006, Opie criou uma projeção de LED para a turnê mundial <strong>Vertigo</strong>, do <strong>U2</strong>. Para o balé <em>Infra</em>, apresentado na Royal Opera House, em Londres, desenvolveu imagens em movimento que acompanhavam a coreografia de Wayne McGregor e a música de Max Richter. Em cada projeto, o corpo aparece reduzido ao essencial: uma silhueta, um gesto, um deslocamento.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/0/a081e659ff858913745e851bd371124c.jpg" rel="lightbox[mpblog_604]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/0/a081e659ff858913745e851bd371124c.jpg"></a></p><em>Projeção de Julian Opie durante a turnê Vertigo, da banda U2, em 2005<p><span></span></p><p>A mesma linguagem pode ser encontrada em suas obras para espaços públicos. Em trabalhos como <em>Walking on O’Connell Street</em>, realizado para a Hugh Lane Gallery, em Dublin, figuras caminham continuamente, como se fossem parte do fluxo da cidade. Opie transforma ações corriqueiras em imagens sintéticas, próximas dos pictogramas, dos mapas e das interfaces digitais.</p></em><p>Nascido em Londres, em 1958, o artista trabalha com pintura, escultura, instalação, vídeo e painéis luminosos. Seu repertório é formado por rostos, pessoas caminhando, animais e paisagens reduzidos a contornos precisos. A economia visual não elimina a identidade das figuras; ao contrário, faz com que elas sejam reconhecidas por um movimento, uma postura ou uma combinação de linhas.</p><p>A presença de Opie na cultura pop revela uma característica central de sua produção: suas imagens podem circular em uma capa de disco, em um palco, na fachada de um edifício ou dentro de uma exposição sem perder sua força. Entre a arte contemporânea, o design e a vida urbana, o artista constrói uma linguagem que se tornou familiar sem deixar de ser estranha.</p><p>Julian Opie integra o Leilão Visões do Século XX — Coleção Internacional, em exposição na nova sede da Blombô, na Rua Estados Unidos, 521 — São Paulo.</p>]]></description>
      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 20:30:36 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Amadeo Lorenzato: o cotidiano como pintura]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/lorenzato.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Amadeo Luciano Lorenzato (1900–1995) fez de Belo Horizonte o centro de uma pintura construída a partir da proximidade. Depois de quase três décadas na Europa, voltou ao Brasil e passou a viver na região da Cabana do Pai Tomás. As ruas, as casas, os terrenos, as montanhas e as cenas mais simples do dia a dia tornaram-se parte de seu repertório.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/0/c0ed4dc26a0e2bc8550d4dce785c5b87.jpg" rel="lightbox[mpblog_603]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/0/c0ed4dc26a0e2bc8550d4dce785c5b87.jpg"></a></p><p><em>Paisagem, óleo sobre tela </em></p>  <p>Lorenzato não procurava transformar o cotidiano em algo grandioso. Pintava uma paisagem, uma fachada, uma árvore ou um grupo de pessoas, reorganizando essas imagens por meio de cores intensas, formas reduzidas e marcas feitas diretamente na superfície. A simplicidade de seus temas convive com uma pesquisa precisa sobre cor, matéria e composição.</p>  <p>O reconhecimento começou em Belo Horizonte, com a atuação de galerias, críticos e colecionadores que acompanharam sua produção. Em São Paulo, a exposição <b>E você nem imagina que Epaminondas sou eu</b>, realizada na <b>Galeria Bergamin</b>, em 2014, contribuiu para ampliar a circulação de seu trabalho. Ao comentar sua pintura, o curador Rodrigo Moura a definiu como a de <b>“um artista moderno e popular, com um poder raro de síntese”</b> — uma formulação que ajuda a compreender a dificuldade de enquadrar Lorenzato em categorias fixas.</p>  <p>Nos últimos anos, sua obra passou a integrar exposições em instituições e galerias de diferentes países. Em 2019, foi apresentada na <b>David Zwirner</b> e na <b>S|2 Gallery</b>, em Londres, e na <b>Mendes Wood DM</b>, em Nova York. Em 2024, esteve novamente na David Zwirner, em Nova York e Hong Kong, além de integrar a <b>60ª Bienal de Veneza</b>, com curadoria de Adriano Pedrosa. No Brasil, participou de exposições como <b>Histórias Brasileiras</b>, no MASP, em 2022, e de mostras realizadas em Belo Horizonte em 2025, incluindo a exposição apresentada no Palácio das Artes.</p>  <p>A circulação recente de Lorenzato não apaga a origem de sua pintura. Ao contrário, reforça o interesse por uma produção que permaneceu ligada à experiência comum e à paisagem de Belo Horizonte, sem deixar de construir uma linguagem própria. É nessa relação entre proximidade e invenção que está a força de sua obra.</p><p>As pinturas de <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">Amadeo Lorenzato</span> estão entre os destaques do <strong>marketplace da <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">Blombô</span>.</strong><br></p>]]></description>
      <pubDate>Wed, 16 Sep 2026 18:21:10 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Tatiana Blass em exposição no Instituto Tomie Othake]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/tatianablass.html</link>
      <description><![CDATA[<p>A produção de <strong>Tatiana Blass</strong> parte de uma relação pouco estável com os materiais. Em seus trabalhos, pintura, escultura, instalação e performance se aproximam para investigar o que acontece quando uma forma é submetida à ação do tempo, da luz, do calor ou da gravidade.</p><p>Cera, vidro, bronze e cerâmica aparecem em situações nas quais uma superfície pode se alterar, um objeto pode perder sua função original e uma imagem pode surgir apenas parcialmente. Em vez de esconder essas mudanças, Blass faz delas parte da construção do trabalho.</p><p>Essa pesquisa está presente em <em><strong>Contrarregra</strong></em>, exposição individual da artista no <strong>Instituto Tomie Ohtake</strong>, em São Paulo. A mostra reúne cerca de 50 trabalhos produzidos entre 2008 e 2026, incluindo pinturas, esculturas, instalações, vídeos e obras inéditas.</p><p>Entre os trabalhos apresentados estão pinturas sobre vidro, nas quais a imagem depende também da luz e da posição do espectador. A cera, recorrente em sua produção, pode cobrir, preservar, deformar ou fazer desaparecer partes de uma obra. Seu comportamento não é totalmente previsível, e é justamente nessa instabilidade que a artista encontra novas possibilidades.</p><p>O título <em><strong>Contrarregra</strong></em> faz referência à pessoa que atua nos bastidores, preparando as condições para que uma cena aconteça. Na obra de Tatiana Blass, essa função parece se deslocar para os próprios materiais, que conduzem a ação, interrompem movimentos ou revelam algo que estava escondido.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/d/1d5eb3ef1f1c7d4859389e57c789fe5a.jpg" rel="lightbox[mpblog_602]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/d/1d5eb3ef1f1c7d4859389e57c789fe5a.jpg"></a></p><p>Obra: Listrado Verde, 2008</p><p>Tatiana Blass também integra o <strong>Leilão Acervos em diálogo: Victor Arruda e outras coleções</strong>, que faz parte da <strong>Noite 2 do pregão</strong>, nos dias <strong>16 e 17 de setembro</strong>.</p>]]></description>
      <pubDate>Mon, 14 Sep 2026 16:33:14 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Robert Mapplethorpe: os primeiros anos de uma linguagem]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/robertmapplethorpe.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Antes de se tornarem artistas reconhecidos, Patti Smith e Robert Mapplethorpe eram dois jovens tentando encontrar seu lugar em Nova York. É desse período, anterior à fama e às obras que os tornariam conhecidos, que Patti Smith parte em <em>Just Kids</em>, livro de memórias publicado em 2010.</p><p>Os dois se conheceram em 1967. Patti havia chegado à cidade com o desejo de ser artista e poeta; Robert estudava arte e experimentava diferentes possibilidades. O encontro acontece antes de qualquer definição profissional. Eles ainda estavam descobrindo quem seriam.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/8/a8b5e4f64153035a072f2da503947d57.jpg" rel="lightbox[mpblog_600]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/8/a8b5e4f64153035a072f2da503947d57.jpg"></a></p><p><strong>Fotografia de Robert Mapplethorpe e Patti Smith, feita em Coney Island, em 1969, para a capa do livro <em>Just Kids</em>, publicado no Brasil como <em>Só Garotos</em>.</strong><br></p><p><em>Just Kids</em> acompanha esse momento de formação e mostra uma relação que ultrapassa o romance. Patti e Robert dividiam pouco dinheiro, pequenos quartos, trabalhos ocasionais e, principalmente, a convicção de que a arte deveria ocupar um lugar central em suas vidas.</p><p>Robert ainda não era o fotógrafo que conhecemos. Sua produção passava pelo desenho, pela pintura, pela colagem e pela experimentação com diferentes materiais. A fotografia surgiria aos poucos, primeiro relacionada às suas colagens e, depois, como uma possibilidade de linguagem própria. Em 1970, com uma câmera Polaroid, ele começa a desenvolver uma prática que ganharia cada vez mais importância.</p><p>Patti acompanha esse processo de perto. Ela também estava construindo seu próprio caminho, entre a poesia, o desenho e a performance. Os dois se observavam, trocavam ideias e acompanhavam o trabalho um do outro. Não era uma parceria artística convencional, mas existia entre eles uma forma de cumplicidade fundamental: <strong>a presença de alguém que acredita naquilo que você ainda está tentando fazer existir.</strong></p><p>A partir de 1969, o Hotel Chelsea passa a fazer parte dessa história. O endereço reunia artistas, escritores e músicos e colocava os dois em contato ainda mais próximo com a cena cultural de Nova York. Mas, antes de estarem inseridos nesse universo, havia o cotidiano de quem ainda precisava descobrir como viver de arte.</p><p>Eles frequentavam exposições, livrarias, clubes e os lugares onde circulavam artistas. Robert desenhava e fazia colagens; Patti escrevia. Gastavam o pouco que tinham com livros, materiais e experiências que alimentavam seus trabalhos. A cidade funcionava como um campo de descobertas, mas o mais importante estava acontecendo entre eles: cada um começava a reconhecer no outro uma vocação.</p><p>A relação também se transformou. O romance dos primeiros anos deu lugar a uma amizade profunda, que permaneceu mesmo quando os caminhos profissionais e afetivos dos dois seguiram direções diferentes. Patti tornou-se poeta, performer e, depois, uma das figuras fundamentais do rock; Robert encontrou na fotografia o meio para desenvolver sua pesquisa artística.</p><p>É nesse ponto que <em>Just Kids</em> se torna especialmente interessante para pensar Mapplethorpe: <strong>o livro mostra o artista antes da obra conhecida</strong>.</p><p>Antes das fotografias de corpos, flores e retratos que definiriam sua produção, havia um jovem experimentando materiais, colecionando referências e procurando uma linguagem. Nada estava pronto. A fotografia ainda era uma descoberta, e sua identidade como artista estava sendo construída no contato com outras pessoas, com a cidade e com as experiências daquele período.</p><p>Patti Smith escreve a história muitos anos depois, mas escolhe retornar justamente a esse momento em que o futuro ainda estava aberto. Robert era Robert, Patti ainda estava se tornando Patti, e os dois tinham pouco além de suas ambições e da disposição para levá-las adiante.</p><p>O que permanece em <em>Just Kids</em> é essa imagem de dois artistas no início de suas trajetórias, quando criar ainda não significava carreira, reconhecimento ou mercado. Era uma escolha de vida.</p><p>Duas fotografias que evidenciam o interesse de <strong>Robert Mapplethorpe</strong> pelo corpo integram o leilão <strong>Visões do Século XX – Coleção Internacional</strong>, da Blombô. Os trabalhos fazem parte do conjunto de obras selecionadas para o pregão e podem ser conferidos no catálogo disponível na plataforma.<br><strong></strong></p>]]></description>
      <pubDate>Wed, 02 Sep 2026 20:14:07 +0000</pubDate>
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      <title><![CDATA[Yayoi Kusama: quando a repetição se transforma em infinito]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/yayoikusama.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Poucos elementos visuais se tornaram tão reconhecíveis na arte contemporânea quanto as bolinhas de <strong>Yayoi Kusama</strong>. Presentes em pinturas, esculturas, objetos e instalações, elas se multiplicam até quase apagar aquilo que existe por baixo. Em sua obra, porém, a repetição está longe de ser apenas decorativa: é uma maneira de investigar <strong>infinito, percepção, identidade e desaparecimento</strong>.</p><p>Nascida no Japão em 1929, Kusama começou a desenhar ainda criança. Em 1957, mudou-se para os Estados Unidos e, no ano seguinte, chegou a Nova York, onde encontrou uma cena artística em intensa transformação. É nesse período que desenvolve as primeiras pinturas da série <em>Infinity Nets</em>, construídas a partir de milhares de pequenas marcas repetidas. A superfície deixa de ter um ponto central e parece continuar para além dos limites da própria tela.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/3/d/3dedfac5be47dd04ac2d14330fab33ef.jpg" rel="lightbox[mpblog_598]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/3/d/3dedfac5be47dd04ac2d14330fab33ef.jpg"></a></p><p><strong>Yayoi Kusama. Anos 60. Imagem: Stedelijk Museum</strong></p><p>Nos anos 1960, essa pesquisa se expande para esculturas, performances e instalações. Nos <strong>Infinity Mirror Rooms</strong>, os espelhos multiplicam luzes, objetos e o próprio corpo do visitante. A ideia de infinito deixa de estar representada apenas na superfície da obra e passa a ser vivenciada dentro dela. Ao entrar nesses espaços, o espectador se vê repetido inúmeras vezes, tornando-se simultaneamente presente e quase anônimo.</p><p>A repetição também atravessou outros campos. <strong>Em 2012, Kusama iniciou uma colaboração com a Louis Vuitton</strong>, levando seus pontos, cores e padrões para bolsas, acessórios e objetos da Maison. A parceria aproximou ainda mais sua produção do universo da moda e do design e foi retomada em 2023, em uma nova coleção.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/8/1818acba4689cc575b636832782038c3.jpg" rel="lightbox[mpblog_598]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/8/1818acba4689cc575b636832782038c3.jpg"></a></p><p><strong>Keepall Bandouliere (Edição especial: Yayoi Kusama) </strong><strong>- Disponível no Marcketplace da Blombô</strong><span class="redactor-invisible-space"></span><br></p><p>No Brasil, a obra de Kusama encontrou no <strong>Instituto Inhotim</strong> um espaço particularmente significativo. Além de <em><strong>Narcissus Garden</strong></em>, o instituto abriga uma galeria permanente dedicada à artista, reunindo outras duas instalações. Apresentada pela primeira vez em 1966, <em><strong>Narcissus Garden</strong></em> é formada por 750 esferas de aço inoxidável que criam uma superfície em constante transformação. Céu, vegetação, arquitetura e os próprios visitantes se refletem e se fragmentam, fazendo da paisagem um campo instável de imagens e dissolvendo continuamente os limites entre indivíduo e espaço.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/6/c650369f1b56237031054b93ca1addb1.jpg" rel="lightbox[mpblog_598]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/6/c650369f1b56237031054b93ca1addb1.jpg"></a></p><p><strong><em>Narcissus Garden</em> Inhotim (2009) de Yayoi Kusama. Imagem: Inhotim</strong></p><p>Ao longo de mais de sete décadas, Kusama construiu um repertório próprio a partir de <strong>pontos, redes, espelhos, abóboras, flores e superfícies infinitamente repetidas</strong>. O que parece simples à primeira vista revela uma pesquisa contínua sobre a percepção e os limites entre o indivíduo e o espaço que o cerca.</p><p>Sua produção também ultrapassou as fronteiras da arte contemporânea para alcançar a moda, a literatura, o cinema e a cultura popular, sem deixar de preservar a coerência de uma investigação iniciada ainda nos primeiros anos de sua carreira.</p><p><strong>Yayoi Kusama morreu em agosto de 2026, aos 97 anos, em Tóquio.</strong> Até o fim da vida, permaneceu produzindo a partir do mesmo universo que construiu ao longo de décadas. Seu legado está justamente nessa capacidade de transformar elementos aparentemente simples em experiências de escala quase ilimitada — fazendo da repetição não um ponto de chegada, mas uma maneira de continuar procurando o infinito.</p>]]></description>
      <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:49:30 +0000</pubDate>
    </item>
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