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    <title><![CDATA[Blog - Post Feed]]></title>
    <link>https://art.blombo.com/blog.html</link>
    <description><![CDATA[]]></description>
    <pubDate>Fri, 25 Sep 2026 23:45:36 +0000</pubDate>
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    <docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>
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      <title><![CDATA[O mapa do vinho em São Paulo]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/saopaulo.html</link>
      <description><![CDATA[<p>São Paulo sempre foi uma cidade de restaurantes. Em 2026, porém, o vinho parece ter ganhado uma nova dimensão dentro dessa paisagem. Não se trata apenas do aumento de wine bars, lojas especializadas ou cartas cada vez mais extensas: o vinho passou a circular pela cidade de maneiras diferentes, aproximando produtores, sommeliers, chefs, importadores e um público interessado em descobrir novos rótulos e regiões.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/1/11fb6d7603412620765a2e0ce99b9b95.jpg" rel="lightbox[mpblog_606]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/1/11fb6d7603412620765a2e0ce99b9b95.jpg"></a></p><p>A primeira edição da Semana Paulistana do Vinho, realizada em abril, ajuda a entender esse movimento. Foram mais de 200 atividades distribuídas por diferentes regiões da cidade, reunindo restaurantes, wine bars, lojas e espaços culturais. O vinho deixou de estar restrito à mesa de restaurantes especializados e passou a aparecer em formatos mais diversos — em taças, menus especiais, encontros, degustações e experiências que aproximam a bebida do cotidiano.</p><p>Esse movimento também acompanha uma transformação que acontece além dos limites da capital. O programa Rotas do Vinho de São Paulo chegou, em 2026, a 87 atrativos distribuídos por 38 municípios. São cinco rotas que conectam vinícolas, paisagens, gastronomia e experiências de enoturismo. A cidade de São Paulo funciona, nesse contexto, como uma espécie de ponto de encontro: é onde chegam os vinhos, onde eles são apresentados e comercializados e onde se forma boa parte do público interessado em conhecer sua origem.</p><p>Talvez seja justamente aí que esteja o novo mapa enogastronômico paulistano. Ele não é formado apenas por endereços dedicados ao vinho, mas por uma rede que atravessa bairros e estilos de vida. Em Pinheiros, Jardins, Itaim, Bela Vista, Consolação e outras regiões, wine bars e restaurantes criaram maneiras próprias de aproximar vinho e comida. Há lugares voltados aos pequenos produtores brasileiros, casas com cartas internacionais, restaurantes em que a harmonização acompanha a cozinha e espaços em que a taça é o ponto de partida para experimentar sem compromisso com uma região ou estilo específico.</p><p>O próprio calendário de 2026 mostra que esse mercado ganhou escala. Em agosto, São Paulo recebeu o I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, reunindo representantes do setor para discutir justamente a relação entre vinho, gastronomia e turismo. No mesmo ano, a ProWine São Paulo projetou sua maior edição até então, acompanhando o crescimento do consumo de vinhos de maior valor agregado e a ampliação da presença internacional no mercado brasileiro.</p><p>O resultado é uma cidade em que o vinho pode ser descoberto de muitas formas. Uma garrafa brasileira de pequeno produtor, uma taça de um grande Bordeaux, um jantar harmonizado, uma conversa com um sommelier ou uma visita a uma vinícola próxima da capital fazem parte de uma mesma paisagem. São Paulo talvez não seja uma cidade de vinhedos, mas se tornou um lugar onde diferentes territórios do vinho se encontram.</p><p>Mais do que uma rota com começo e fim, o que se desenha é um mapa em movimento: feito de restaurantes, adegas, wine bars, produtores, eventos e pessoas. Um mapa que muda conforme novas casas abrem, novas regiões brasileiras ganham espaço e o público passa a procurar no vinho não apenas uma bebida, mas também uma forma de conhecer lugares, culturas e histórias.</p>]]></description>
      <pubDate>Thu, 24 Sep 2026 17:20:22 +0000</pubDate>
    </item>
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      <title><![CDATA[Château Mouton Rothschild e a arte dos rótulos]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/rothschild.html</link>
      <description><![CDATA[<p>No Château Mouton Rothschild, a relação entre vinho e arte começa antes mesmo de a garrafa ser aberta. Desde 1945, a propriedade convida um artista para criar o rótulo de cada safra, transformando a apresentação do vinho em um espaço de encontro entre duas formas de criação.
</p><p>A tradição começou com <b>Philippe Jullian</b>, que desenhou o rótulo da safra de 1945 para celebrar a vitória dos Aliados no fim da Segunda Guerra Mundial. A partir dali, o rótulo deixou de ser apenas uma identificação da garrafa e passou a carregar também uma interpretação visual daquela safra.
</p><p>Ao longo das décadas, passaram por essa coleção nomes importantes da arte moderna e contemporânea, como <b>Pablo Picasso, Joan Miró, Marc Chagall, Salvador Dalí, Francis Bacon, Andy Warhol, Jeff Koons, David Hockney</b> <b>e Joana Vasconcelos</b> entre muitos outros. Cada artista estabelece uma relação própria com o universo de Mouton, sem que exista um modelo visual pré-determinado para a criação.
</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/2/a2a30cc7301019aaf40a011d981ab250.jpg" rel="lightbox[mpblog_605]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/2/a2a30cc7301019aaf40a011d981ab250.jpg"></a></p><p><em>Rótulos: Andy Warhol</em><em>, Joan Miró</em><span class="redactor-invisible-space"><em>, Pablo Picasso, David Hockney, Francis Bacon e Joana Vasconcelos</em></span></p><p>Essa liberdade faz com que cada safra tenha uma identidade particular. Algumas obras partem de referências ao vinho, à terra ou à própria história da propriedade; outras seguem caminhos completamente independentes. O que permanece é a ideia de que uma garrafa pode reunir, em um mesmo objeto, <b>vinho, arte e memória</b>.
</p><p>Por isso, colecionar Mouton Rothschild também significa acompanhar uma espécie de história da arte em pequena escala. Os rótulos formam, ao longo do tempo, uma coleção que atravessa diferentes movimentos, linguagens e gerações de artistas — e que continua a ganhar novos capítulos a cada safra.
</p><p>O <strong>159º Leilão de Vinhos da Blombô</strong> é uma oportunidade para apreciar e conhecer o <strong>Château Mouton Rothschild</strong><span class="redactor-invisible-space"></span></p>]]></description>
      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 19:10:09 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Julian Opie: imagens que atravessam a arte e a música]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/julianopie.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Em 2000, o rosto dos integrantes do <strong>Blur</strong> apareceu na capa de The Best Of<em> </em><em> </em>transformado em linhas, cores chapadas e poucos detalhes. Os retratos criados por <strong>Julian Opie</strong> eram imediatamente reconhecíveis, mas também tinham algo de sinalização urbana, avatar e desenho digital. A imagem saiu do circuito da arte e passou a fazer parte da memória visual da música.</p><p><br></p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/6/a67b6e045a8ba0143bae29613075eaee.jpg" rel="lightbox[mpblog_604]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/6/a67b6e045a8ba0143bae29613075eaee.jpg"></a></p><p><em><span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">Blur — <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">The Best Of</span></span>
Lançado em <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">30 de outubro de 2000</span>, o álbum traz uma série de retratos dos quatro integrantes da banda, criada pelo artista britânico </em><span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text"><em>Julian Opie</em></span><strong>.</strong><br></p><p>Esse diálogo não começou nem terminou com o Blur. Em 2006, Opie criou uma projeção de LED para a turnê mundial <strong>Vertigo</strong>, do <strong>U2</strong>. Para o balé <em>Infra</em>, apresentado na Royal Opera House, em Londres, desenvolveu imagens em movimento que acompanhavam a coreografia de Wayne McGregor e a música de Max Richter. Em cada projeto, o corpo aparece reduzido ao essencial: uma silhueta, um gesto, um deslocamento.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/0/a081e659ff858913745e851bd371124c.jpg" rel="lightbox[mpblog_604]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/0/a081e659ff858913745e851bd371124c.jpg"></a></p><em>Projeção de Julian Opie durante a turnê Vertigo, da banda U2, em 2005<p><span></span></p><p>A mesma linguagem pode ser encontrada em suas obras para espaços públicos. Em trabalhos como <em>Walking on O’Connell Street</em>, realizado para a Hugh Lane Gallery, em Dublin, figuras caminham continuamente, como se fossem parte do fluxo da cidade. Opie transforma ações corriqueiras em imagens sintéticas, próximas dos pictogramas, dos mapas e das interfaces digitais.</p></em><p>Nascido em Londres, em 1958, o artista trabalha com pintura, escultura, instalação, vídeo e painéis luminosos. Seu repertório é formado por rostos, pessoas caminhando, animais e paisagens reduzidos a contornos precisos. A economia visual não elimina a identidade das figuras; ao contrário, faz com que elas sejam reconhecidas por um movimento, uma postura ou uma combinação de linhas.</p><p>A presença de Opie na cultura pop revela uma característica central de sua produção: suas imagens podem circular em uma capa de disco, em um palco, na fachada de um edifício ou dentro de uma exposição sem perder sua força. Entre a arte contemporânea, o design e a vida urbana, o artista constrói uma linguagem que se tornou familiar sem deixar de ser estranha.</p><p>Julian Opie integra o Leilão Visões do Século XX — Coleção Internacional, em exposição na nova sede da Blombô, na Rua Estados Unidos, 521 — São Paulo.</p>]]></description>
      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 20:30:36 +0000</pubDate>
    </item>
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      <title><![CDATA[Amadeo Lorenzato: o cotidiano como pintura]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/lorenzato.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Amadeo Luciano Lorenzato (1900–1995) fez de Belo Horizonte o centro de uma pintura construída a partir da proximidade. Depois de quase três décadas na Europa, voltou ao Brasil e passou a viver na região da Cabana do Pai Tomás. As ruas, as casas, os terrenos, as montanhas e as cenas mais simples do dia a dia tornaram-se parte de seu repertório.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/0/c0ed4dc26a0e2bc8550d4dce785c5b87.jpg" rel="lightbox[mpblog_603]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/0/c0ed4dc26a0e2bc8550d4dce785c5b87.jpg"></a></p><p><em>Paisagem, óleo sobre tela </em></p>  <p>Lorenzato não procurava transformar o cotidiano em algo grandioso. Pintava uma paisagem, uma fachada, uma árvore ou um grupo de pessoas, reorganizando essas imagens por meio de cores intensas, formas reduzidas e marcas feitas diretamente na superfície. A simplicidade de seus temas convive com uma pesquisa precisa sobre cor, matéria e composição.</p>  <p>O reconhecimento começou em Belo Horizonte, com a atuação de galerias, críticos e colecionadores que acompanharam sua produção. Em São Paulo, a exposição <b>E você nem imagina que Epaminondas sou eu</b>, realizada na <b>Galeria Bergamin</b>, em 2014, contribuiu para ampliar a circulação de seu trabalho. Ao comentar sua pintura, o curador Rodrigo Moura a definiu como a de <b>“um artista moderno e popular, com um poder raro de síntese”</b> — uma formulação que ajuda a compreender a dificuldade de enquadrar Lorenzato em categorias fixas.</p>  <p>Nos últimos anos, sua obra passou a integrar exposições em instituições e galerias de diferentes países. Em 2019, foi apresentada na <b>David Zwirner</b> e na <b>S|2 Gallery</b>, em Londres, e na <b>Mendes Wood DM</b>, em Nova York. Em 2024, esteve novamente na David Zwirner, em Nova York e Hong Kong, além de integrar a <b>60ª Bienal de Veneza</b>, com curadoria de Adriano Pedrosa. No Brasil, participou de exposições como <b>Histórias Brasileiras</b>, no MASP, em 2022, e de mostras realizadas em Belo Horizonte em 2025, incluindo a exposição apresentada no Palácio das Artes.</p>  <p>A circulação recente de Lorenzato não apaga a origem de sua pintura. Ao contrário, reforça o interesse por uma produção que permaneceu ligada à experiência comum e à paisagem de Belo Horizonte, sem deixar de construir uma linguagem própria. É nessa relação entre proximidade e invenção que está a força de sua obra.</p><p>As pinturas de <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">Amadeo Lorenzato</span> estão entre os destaques do <strong>marketplace da <span class="w6asjq_TextBase _85PZeG_Text">Blombô</span>.</strong><br></p>]]></description>
      <pubDate>Wed, 16 Sep 2026 18:21:10 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Tatiana Blass em exposição no Instituto Tomie Othake]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/tatianablass.html</link>
      <description><![CDATA[<p>A produção de <strong>Tatiana Blass</strong> parte de uma relação pouco estável com os materiais. Em seus trabalhos, pintura, escultura, instalação e performance se aproximam para investigar o que acontece quando uma forma é submetida à ação do tempo, da luz, do calor ou da gravidade.</p><p>Cera, vidro, bronze e cerâmica aparecem em situações nas quais uma superfície pode se alterar, um objeto pode perder sua função original e uma imagem pode surgir apenas parcialmente. Em vez de esconder essas mudanças, Blass faz delas parte da construção do trabalho.</p><p>Essa pesquisa está presente em <em><strong>Contrarregra</strong></em>, exposição individual da artista no <strong>Instituto Tomie Ohtake</strong>, em São Paulo. A mostra reúne cerca de 50 trabalhos produzidos entre 2008 e 2026, incluindo pinturas, esculturas, instalações, vídeos e obras inéditas.</p><p>Entre os trabalhos apresentados estão pinturas sobre vidro, nas quais a imagem depende também da luz e da posição do espectador. A cera, recorrente em sua produção, pode cobrir, preservar, deformar ou fazer desaparecer partes de uma obra. Seu comportamento não é totalmente previsível, e é justamente nessa instabilidade que a artista encontra novas possibilidades.</p><p>O título <em><strong>Contrarregra</strong></em> faz referência à pessoa que atua nos bastidores, preparando as condições para que uma cena aconteça. Na obra de Tatiana Blass, essa função parece se deslocar para os próprios materiais, que conduzem a ação, interrompem movimentos ou revelam algo que estava escondido.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/d/1d5eb3ef1f1c7d4859389e57c789fe5a.jpg" rel="lightbox[mpblog_602]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/d/1d5eb3ef1f1c7d4859389e57c789fe5a.jpg"></a></p><p>Obra: Listrado Verde, 2008</p><p>Tatiana Blass também integra o <strong>Leilão Acervos em diálogo: Victor Arruda e outras coleções</strong>, que faz parte da <strong>Noite 2 do pregão</strong>, nos dias <strong>16 e 17 de setembro</strong>.</p>]]></description>
      <pubDate>Mon, 14 Sep 2026 16:33:14 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Robert Mapplethorpe: os primeiros anos de uma linguagem]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/robertmapplethorpe.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Antes de se tornarem artistas reconhecidos, Patti Smith e Robert Mapplethorpe eram dois jovens tentando encontrar seu lugar em Nova York. É desse período, anterior à fama e às obras que os tornariam conhecidos, que Patti Smith parte em <em>Just Kids</em>, livro de memórias publicado em 2010.</p><p>Os dois se conheceram em 1967. Patti havia chegado à cidade com o desejo de ser artista e poeta; Robert estudava arte e experimentava diferentes possibilidades. O encontro acontece antes de qualquer definição profissional. Eles ainda estavam descobrindo quem seriam.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/8/a8b5e4f64153035a072f2da503947d57.jpg" rel="lightbox[mpblog_600]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/8/a8b5e4f64153035a072f2da503947d57.jpg"></a></p><p><strong>Fotografia de Robert Mapplethorpe e Patti Smith, feita em Coney Island, em 1969, para a capa do livro <em>Just Kids</em>, publicado no Brasil como <em>Só Garotos</em>.</strong><br></p><p><em>Just Kids</em> acompanha esse momento de formação e mostra uma relação que ultrapassa o romance. Patti e Robert dividiam pouco dinheiro, pequenos quartos, trabalhos ocasionais e, principalmente, a convicção de que a arte deveria ocupar um lugar central em suas vidas.</p><p>Robert ainda não era o fotógrafo que conhecemos. Sua produção passava pelo desenho, pela pintura, pela colagem e pela experimentação com diferentes materiais. A fotografia surgiria aos poucos, primeiro relacionada às suas colagens e, depois, como uma possibilidade de linguagem própria. Em 1970, com uma câmera Polaroid, ele começa a desenvolver uma prática que ganharia cada vez mais importância.</p><p>Patti acompanha esse processo de perto. Ela também estava construindo seu próprio caminho, entre a poesia, o desenho e a performance. Os dois se observavam, trocavam ideias e acompanhavam o trabalho um do outro. Não era uma parceria artística convencional, mas existia entre eles uma forma de cumplicidade fundamental: <strong>a presença de alguém que acredita naquilo que você ainda está tentando fazer existir.</strong></p><p>A partir de 1969, o Hotel Chelsea passa a fazer parte dessa história. O endereço reunia artistas, escritores e músicos e colocava os dois em contato ainda mais próximo com a cena cultural de Nova York. Mas, antes de estarem inseridos nesse universo, havia o cotidiano de quem ainda precisava descobrir como viver de arte.</p><p>Eles frequentavam exposições, livrarias, clubes e os lugares onde circulavam artistas. Robert desenhava e fazia colagens; Patti escrevia. Gastavam o pouco que tinham com livros, materiais e experiências que alimentavam seus trabalhos. A cidade funcionava como um campo de descobertas, mas o mais importante estava acontecendo entre eles: cada um começava a reconhecer no outro uma vocação.</p><p>A relação também se transformou. O romance dos primeiros anos deu lugar a uma amizade profunda, que permaneceu mesmo quando os caminhos profissionais e afetivos dos dois seguiram direções diferentes. Patti tornou-se poeta, performer e, depois, uma das figuras fundamentais do rock; Robert encontrou na fotografia o meio para desenvolver sua pesquisa artística.</p><p>É nesse ponto que <em>Just Kids</em> se torna especialmente interessante para pensar Mapplethorpe: <strong>o livro mostra o artista antes da obra conhecida</strong>.</p><p>Antes das fotografias de corpos, flores e retratos que definiriam sua produção, havia um jovem experimentando materiais, colecionando referências e procurando uma linguagem. Nada estava pronto. A fotografia ainda era uma descoberta, e sua identidade como artista estava sendo construída no contato com outras pessoas, com a cidade e com as experiências daquele período.</p><p>Patti Smith escreve a história muitos anos depois, mas escolhe retornar justamente a esse momento em que o futuro ainda estava aberto. Robert era Robert, Patti ainda estava se tornando Patti, e os dois tinham pouco além de suas ambições e da disposição para levá-las adiante.</p><p>O que permanece em <em>Just Kids</em> é essa imagem de dois artistas no início de suas trajetórias, quando criar ainda não significava carreira, reconhecimento ou mercado. Era uma escolha de vida.</p><p>Duas fotografias que evidenciam o interesse de <strong>Robert Mapplethorpe</strong> pelo corpo integram o leilão <strong>Visões do Século XX – Coleção Internacional</strong>, da Blombô. Os trabalhos fazem parte do conjunto de obras selecionadas para o pregão e podem ser conferidos no catálogo disponível na plataforma.<br><strong></strong></p>]]></description>
      <pubDate>Wed, 02 Sep 2026 20:14:07 +0000</pubDate>
    </item>
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      <title><![CDATA[Yayoi Kusama: quando a repetição se transforma em infinito]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/yayoikusama.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Poucos elementos visuais se tornaram tão reconhecíveis na arte contemporânea quanto as bolinhas de <strong>Yayoi Kusama</strong>. Presentes em pinturas, esculturas, objetos e instalações, elas se multiplicam até quase apagar aquilo que existe por baixo. Em sua obra, porém, a repetição está longe de ser apenas decorativa: é uma maneira de investigar <strong>infinito, percepção, identidade e desaparecimento</strong>.</p><p>Nascida no Japão em 1929, Kusama começou a desenhar ainda criança. Em 1957, mudou-se para os Estados Unidos e, no ano seguinte, chegou a Nova York, onde encontrou uma cena artística em intensa transformação. É nesse período que desenvolve as primeiras pinturas da série <em>Infinity Nets</em>, construídas a partir de milhares de pequenas marcas repetidas. A superfície deixa de ter um ponto central e parece continuar para além dos limites da própria tela.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/3/d/3dedfac5be47dd04ac2d14330fab33ef.jpg" rel="lightbox[mpblog_598]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/3/d/3dedfac5be47dd04ac2d14330fab33ef.jpg"></a></p><p><strong>Yayoi Kusama. Anos 60. Imagem: Stedelijk Museum</strong></p><p>Nos anos 1960, essa pesquisa se expande para esculturas, performances e instalações. Nos <strong>Infinity Mirror Rooms</strong>, os espelhos multiplicam luzes, objetos e o próprio corpo do visitante. A ideia de infinito deixa de estar representada apenas na superfície da obra e passa a ser vivenciada dentro dela. Ao entrar nesses espaços, o espectador se vê repetido inúmeras vezes, tornando-se simultaneamente presente e quase anônimo.</p><p>A repetição também atravessou outros campos. <strong>Em 2012, Kusama iniciou uma colaboração com a Louis Vuitton</strong>, levando seus pontos, cores e padrões para bolsas, acessórios e objetos da Maison. A parceria aproximou ainda mais sua produção do universo da moda e do design e foi retomada em 2023, em uma nova coleção.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/8/1818acba4689cc575b636832782038c3.jpg" rel="lightbox[mpblog_598]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/1/8/1818acba4689cc575b636832782038c3.jpg"></a></p><p><strong>Keepall Bandouliere (Edição especial: Yayoi Kusama) </strong><strong>- Disponível no Marcketplace da Blombô</strong><span class="redactor-invisible-space"></span><br></p><p>No Brasil, a obra de Kusama encontrou no <strong>Instituto Inhotim</strong> um espaço particularmente significativo. Além de <em><strong>Narcissus Garden</strong></em>, o instituto abriga uma galeria permanente dedicada à artista, reunindo outras duas instalações. Apresentada pela primeira vez em 1966, <em><strong>Narcissus Garden</strong></em> é formada por 750 esferas de aço inoxidável que criam uma superfície em constante transformação. Céu, vegetação, arquitetura e os próprios visitantes se refletem e se fragmentam, fazendo da paisagem um campo instável de imagens e dissolvendo continuamente os limites entre indivíduo e espaço.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/6/c650369f1b56237031054b93ca1addb1.jpg" rel="lightbox[mpblog_598]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/c/6/c650369f1b56237031054b93ca1addb1.jpg"></a></p><p><strong><em>Narcissus Garden</em> Inhotim (2009) de Yayoi Kusama. Imagem: Inhotim</strong></p><p>Ao longo de mais de sete décadas, Kusama construiu um repertório próprio a partir de <strong>pontos, redes, espelhos, abóboras, flores e superfícies infinitamente repetidas</strong>. O que parece simples à primeira vista revela uma pesquisa contínua sobre a percepção e os limites entre o indivíduo e o espaço que o cerca.</p><p>Sua produção também ultrapassou as fronteiras da arte contemporânea para alcançar a moda, a literatura, o cinema e a cultura popular, sem deixar de preservar a coerência de uma investigação iniciada ainda nos primeiros anos de sua carreira.</p><p><strong>Yayoi Kusama morreu em agosto de 2026, aos 97 anos, em Tóquio.</strong> Até o fim da vida, permaneceu produzindo a partir do mesmo universo que construiu ao longo de décadas. Seu legado está justamente nessa capacidade de transformar elementos aparentemente simples em experiências de escala quase ilimitada — fazendo da repetição não um ponto de chegada, mas uma maneira de continuar procurando o infinito.</p>]]></description>
      <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 15:49:30 +0000</pubDate>
    </item>
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      <title><![CDATA[Bordeaux x Borgonha: duas maneiras de entender o vinho francês]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/bordeaux-borgonha.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Entre as regiões mais emblemáticas do vinho francês, Bordeaux e Borgonha ocupam lugares quase míticos. Distantes geograficamente, ambas desenvolveram ao longo dos séculos sistemas de produção, classificação e comercialização bastante particulares. Mais do que estilos diferentes de vinho, representam duas formas distintas de interpretar a relação entre uva, território e produtor.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/d/f/dfa32ff37570f626fbcf31e6344e143e.png" rel="lightbox[mpblog_597]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/d/f/dfa32ff37570f626fbcf31e6344e143e.png"></a></p><p><strong>Região de Bordeuax - França</strong></p><p>Em Bordeaux, a identidade do vinho está associada ao <i>assemblage</i> — a combinação de diferentes variedades em busca de equilíbrio, complexidade e longevidade. Na margem esquerda do estuário do Gironde, especialmente no Médoc e em Graves, a Cabernet Sauvignon encontra condições ideais nos solos de cascalho e assume papel predominante, trazendo estrutura e taninos. Já na margem direita, em áreas como Saint-Émilion e Pomerol, a Merlot ganha protagonismo, favorecida pelos solos argilo-calcários e dando origem a vinhos de textura macia e aveludada.</p><p>Essa diversidade faz de Bordeaux uma região de castas complementares. Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot participam dos cortes trazendo atributos distintos, e a composição final torna-se a assinatura do vinho.</p><p>Na Borgonha, a lógica é outra. A região tornou-se referência mundial pela capacidade de revelar nuances entre pequenas parcelas de terra. O conceito de <i>terroir</i> ganha aqui máxima precisão: solo, exposição solar, microclima e história definem a identidade do vinho, expressa com perfeição nos chamados <i>Climats</i>.</p><p>Há também uma diferença essencial nas uvas. Enquanto Bordeaux se projeta pelos cortes, a Borgonha celebra a expressão de uma única variedade por vinho: a Pinot Noir nos tintos e a Chardonnay nos brancos. Juntas, elas ocupam mais de 80% dos vinhedos locais.</p><p>Por isso, na Borgonha, a indicação da parcela, da comuna e do nível de classificação do vinhedo costuma ser tão determinante quanto a assinatura do produtor. Com 84 denominações de origem — das regionais aos <i>Grands Crus</i> —, variações mínimas de terreno produzem vinhos com personalidades singulares, mesmo compartilhando a mesma uva.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/4/a4c827d14c37804b5059f685590d42c3.jpg" rel="lightbox[mpblog_597]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/a/4/a4c827d14c37804b5059f685590d42c3.jpg"></a></p><p><strong>Região de Borgonha - França</strong></p><p><b>Duas geografias, duas linguagens</b></p><p>A diferença sobressai na forma como os vinhos são apresentados ao mundo.</p><p>Em Bordeaux, o destaque do rótulo é a propriedade: o nome do <i>Château</i> — como Château Margaux, Château Lafite Rothschild ou Château Haut-Brion — acompanhado de sua denominação. O prestígio da vinícola e a história do castelo são a espinha dorsal do produto.</p><p>Na Borgonha, o rótulo aponta diretamente para o lugar de origem: Gevrey-Chambertin, Vosne-Romanée, Meursault, Puligny-Montrachet, Chambolle-Musigny. Compreender a hierarquia e a localização exata das parcelas é a chave para antecipar o perfil da garrafa.</p><p>Essa distinção reflete-se na taça. Bordeaux tende a entregar vinhos mais estruturados, profundos e vocacionados para a guarda. A Borgonha, por sua vez, oscila entre a delicadeza aromática e a profundidade longeva nos Pinot Noirs, enquanto seus brancos variam da tensão mineral de Chablis à amplitude generosa dos grandes <i>Côte de Beaune</i>.</p><p><b>Bordeaux ou Borgonha?</b></p><p>A comparação não exige uma escolha. Trata-se de duas filosofias complementares para interpretar a riqueza do vinho francês.</p><p>Bordeaux fala a língua do <i>assemblage</i>, dos grandes <i>châteaux</i>, das margens do Gironde e da sinergia entre castas.</p><p>A Borgonha fala a língua do <i>terroir</i>, dos <i>Climats</i>, das microparcelas e da habilidade ímpar da Pinot Noir e da Chardonnay de traduzirem a essência de onde vêm.</p><p>É justamente esse contraste que torna o estudo das duas regiões fascinante. Em uma garrafa de Bordeaux, aprecia-se a arquitetura de um grande corte. Em uma de Borgonha, a pura expressão do pedaço de terra. Em ambas, o mesmo propósito: transformar território, tempo e saber em arte engarrafada.</p>]]></description>
      <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 17:54:37 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[1982: o ano que mudou a crítica de vinhos mundial]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/safra1982.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Há safras que permanecem na memória por causa dos vinhos que produziram. E
há outras que acabam modificando a própria história do vinho. <strong>Bordeaux 1982 pertence às duas categorias.</strong></p><p>Naquele ano, as condições climáticas favoreceram
uma maturação excepcional das uvas em Bordeaux, resultando em vinhos mais
maduros, concentrados e exuberantes do que muitos críticos estavam acostumados
a encontrar na região. Mas a importância de 1982 não se explica apenas pelo que
aconteceu nos vinhedos.<o:p></o:p></p><p>A safra ganhou uma dimensão histórica também
pela maneira como foi recebida por <strong>Robert
Parker</strong>, então um crítico ainda relativamente desconhecido fora dos
Estados Unidos. Parker foi um dos primeiros a reconhecer publicamente a
grandeza dos vinhos de 1982 e atribuiu notas extraordinariamente altas a alguns
dos principais Bordeaux da safra. Sua avaliação contrariava parte da crítica
europeia da época, mais cautelosa em relação àquele estilo de vinho.<o:p></o:p></p><p>O que aconteceu depois ajudou a transformar a
relação entre crítica, mercado e consumidor. A opinião de um crítico passou a
ter um peso cada vez maior na valorização de determinados rótulos, enquanto os
consumidores começaram a acompanhar de perto pontuações e avaliações para
orientar suas escolhas.<o:p></o:p></p><p>1982 se tornou, assim, um verdadeiro ponto de inflexão. Não apenas por ter produzido alguns dos grandes Bordeaux do século XX, mas também por contribuir para consolidar uma nova maneira de falar sobre vinho: mais sistemática, baseada em notas, comparações e avaliações públicas, capaz de influenciar preços e, ao mesmo tempo, despertar o interesse de um público cada vez maior.<o:p></o:p></p><p>Também é por isso que uma garrafa de Bordeaux
1982 carrega hoje algo que ultrapassa a qualidade de seu conteúdo. Ela pertence
a uma safra que marcou uma geração de produtores, críticos e colecionadores — e
a um momento em que o vinho começou a ocupar um novo espaço na cultura e no
mercado internacional.<o:p></o:p></p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/b/5/b5986fc67962e1785778f6322594d09c.jpg" rel="lightbox[mpblog_596]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/b/5/b5986fc67962e1785778f6322594d09c.jpg"></a></p><p><strong>Pétrus está entre os vinhos tintos mais raros, cobiçados e prestigiados do mundo.</strong></p><p>O clima teve papel decisivo. A temporada foi
marcada por condições favoráveis ao desenvolvimento e à maturação das uvas,
permitindo alcançar níveis de maturidade incomuns. O resultado foram vinhos de
grande concentração de fruta, estrutura e potencial de envelhecimento.</p><p>Mas talvez o mais interessante seja perceber que
<strong>uma grande safra não é apenas um
acontecimento dentro da garrafa</strong>. Em determinados momentos, ela produz
efeitos muito maiores: muda reputações, altera preços, influencia estilos e
transforma a maneira como o mundo olha para o vinho. Bordeaux 1982 foi um desses momentos. E é justamente o encontro entre território, tempo, crítica e mercado que faz dessa safra uma das mais fascinantes da história do vinho.</p><p>No Leilão da Blombo, nos dias <strong>24 e 27 de agosto</strong>, será possível encontrar <strong>Pétrus e outros importantes vinhos da safra de 1982</strong>. Uma oportunidade para quem quer se aproximar de uma das safras mais emblemáticas de Bordeaux.<span></span></p><p><br></p><p><br></p>]]></description>
      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 16:16:00 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Vik Muniz: o artista que nos ensina a olhar duas vezes]]></title>
      <link>https://art.blombo.com/blog/blombo/vikmuniz.html</link>
      <description><![CDATA[<p>Existe um instante curioso diante de uma obra de <strong>Vik Muniz</strong>. Primeiro reconhecemos uma imagem. Depois percebemos que ela é feita de algo completamente inesperado. É nesse intervalo entre reconhecer e descobrir que seu trabalho acontece.</p><p>Ao longo de mais de quatro décadas de produção, Vik Muniz transformou materiais cotidianos — açúcar, chocolate, sucata, poeira, pigmentos, brinquedos, diamantes e tantos outros elementos — em imagens que desafiam a maneira como percebemos o mundo. Mas seu interesse nunca esteve apenas na escolha desses materiais. O que realmente importa é o percurso do olhar: a distância entre aquilo que vemos e aquilo que acreditamos ver. </p><p>Em uma entrevista, o artista afirmou: <strong>"Não lembro de quando me tornei artista, mas lembro de quando todos deixaram de ser."</strong> A frase revela uma ideia central de sua trajetória. Para Vik Muniz, a criação não é um privilégio de poucos, mas uma capacidade que todos possuem antes que o hábito, as convenções e as certezas limitem nossa imaginação. </p><p>Essa maneira de pensar ajuda a compreender por que sua obra nunca se satisfaz com uma única leitura. O espectador é convidado a se aproximar, afastar-se, observar novamente. A imagem deixa de ser um ponto de chegada e passa a ser uma experiência construída pelo próprio olhar.</p><p>Embora tenha alcançado reconhecimento internacional, com obras presentes em importantes museus e coleções ao redor do mundo, Vik Muniz manteve uma produção que dialoga tanto com a história da arte quanto com a cultura visual contemporânea. Suas referências transitam entre mestres da pintura, fotografia, publicidade, cinema e memória coletiva, sempre propondo novas formas de enxergar imagens que pareciam familiares. </p><p>Talvez seja justamente essa a força de seu trabalho: lembrar que nenhuma imagem é definitiva. Toda representação pode ser reconstruída, toda certeza pode ser revista e todo olhar pode aprender a ver de outra maneira.</p><p><a title="" href="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/6/8/681a1a72d10ed9d84e0ce3a2ab7c96fb.png" rel="lightbox[mpblog_595]" target="_blank"><img src="https://blombo.com/media/magpleasure/mpblog/upload/6/8/681a1a72d10ed9d84e0ce3a2ab7c96fb.png"></a></p><p><strong>Vik Muniz - Hollywood - 2014 </strong><br></p><p>No próximo leilão da <strong>Blombô</strong>, em <strong>Belo Horizonte</strong>, Vik Muniz integra a seleção de grandes nomes da arte moderna e contemporânea brasileira. Sua presença reafirma uma produção que transformou a fotografia em um território de invenção e fez da percepção um dos temas mais instigantes da arte contemporânea.</p>]]></description>
      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 13:21:15 +0000</pubDate>
    </item>
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